domingo, 23 de abril de 2017

Não quero saber, por isso pergunto


- Então afinal quem é que ganhou o jogo ontem? - Pergunta-me a outra mãe que estava sentada ao pé de mim, frente ao parque infantil, enquanto os nossos filhos brincavam lá dentro.
- Não faço ideia - respondi eu. - Não ligo nada a futebol.
E ela sai-se com esta:
- Nem eu! Nada!

Ai não? Então a que propósito é que fez a pergunta?!


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Desvalorizar/Valorizar o que é negativo/positivo


Decididamente, tenho de deixar de ser tão pessimista.

Já me cansa a minha própria tendência para desvalorizar o que faço bem, para dar sempre ênfase ao que está mal, ao que podia ser melhor. O perfecionismo leva-me a ter medo de terminar seja o que for, porque no momento em que o processo acaba torna-se impossível melhorar o produto. Nos piores momentos, chega a ser contraproducente: tolhe-me a vontade de fazer seja o que for, porque parto do princípio de que não vou chegar aonde deveria. O derrotismo segreda-me, a propósito de quaisquer projetos, que não vale a pena tentar concretizá-los, porque há sempre quem faça melhor do que eu.
Este semestre letivo está a começar mal...
Mas lá estou eu a destacar o lado negativo, quando podia valorizar o que tem acontecido de bom.
Pronto, vou esforçar-me para reverter esta tendência. Reformulando:

Decididamente, vou ser mais otimista.

Estou entusiasmada para começar a valorizar o que faço bem, para dar menos importância ao que não ficou perfeito. O perfecionismo deve ser domado, para que conduza ao melhor resultado possível, sem levar ao receio de terminar aquilo que está a ser feito. Deve ser um estímulo, que me dê vontade de fazer mais e melhor. O otimismo dar-me-á alento, a propósito de quaisquer projetos, recordando-me de que vale sempre a pena tentar, porque ninguém fará por mim aquilo que eu imaginei fazer.
Este semestre letivo está a começar bem.
Vou destacar o lado positivo, valorizando tudo o que acontece de bom.
É isso. Vou esforçar-me para ampliar esta tendência.

Provas, para que vos quero?


É difícil descrever a sensação, essencialmente má, que me acometeu quando abri a caixa que continha as provas do meu novo livro.
Ao folhear as duzentas e tal páginas cheias de texto escrito por mim, senti um aperto cá dentro, um mal-estar esquisito, uma ansiedade que me deixou quase zonza. Apeteceu-me enfiar tudo dentro da caixa rapidamente, fugir, tudo menos olhar para aquela verborreia que um destes dias há de estar à venda por aí. Fui assolada por uma espécie de arrependimento misturado com pavor, tanto mais estranho quanto me é difícil - se não impossível - explicar o motivo de tal sentimento. Não queria eu tanto, tanto, escrever e publicar este livro? Não me deu tanto gosto escrevê-lo? Não me senti orgulhosa do resultado, quando o terminei? Então porquê, agora, esta renegação?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Histórias para todos os gostos


Fui convidada para fornecer histórias escritas em inglês para o Quillr, uma aplicação que está a ser desenvolvida por um amigo de um amigo, na Índia. Acho a ideia excelente e estou muito entusiasmada com a perspetiva da minha colaboração! Será que vou finalmente dar uso a contos que escrevi há quinze anos?!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Do livro que estou a ler



Um certo pastor americano bramiu um dia: «Para quê ensinar outras línguas na América se a Jesus bastou o Inglês?» Não creio que tenha ganho o céu.

Mário de Carvalho, Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dúvida desta manhã


Não sei se passei grande parte da noite com uma insónia, se sonhei que tive uma insónia...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nós que atam e desatam


Hoje deixei o meu pequeno rebento num jardim de infância pela primeira vez. Apanhei-o distraído e fugi, depois de ter andado com ele de mão dada, à espera de uma oportunidade de me escapar sem que ele desse por isso. Não foi fácil, porque ele já é experiente nestas coisas. Foi para uma sala de acolhimento aos 5 meses e depois para uma creche com ano e meio. Desta vez, assim que lá entrou, agarrou-me a mão e só a largou no pátio, por causa de um triciclo. Abençoado triciclo!
Felizmente, o laço afetivo com a mãe ainda é tão forte, nesta idade, que ele se sente seguro e confiante, mesmo quando eu desapareço. A sua aparente independência na rua é reflexo disso mesmo: não se preocupa quando deixa de me ver, porque acredita que eu apareço sempre e quando for preciso. São nós muito fortes os que existem entre nós, mães, e os nossos filhos!
Mas é preciso desatar alguns, claro, em nome do crescimento e da autonomia, tal como fazem as mães raposas, quando arregalam os dentes aos filhos, para os expulsarem de vez do seu espaço, quando eles já são crescidos e podem tomar conta de si. Felizmente, ao contrário das raposas, nós continuamos a acompanhar e a ajudar os nossos pequeninos, durante todo o tempo que for preciso e quisermos ou pudermos.
No entanto, infelizmente, há outra diferença que nos distingue das raposas: elas não ficam com um nó na garganta quando se separam deles... esse é um nó que ata inoportunamente e custa a desatar.



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Cogitações de pré-regresso


Amanhã volto ao trabalho e, pela primeira vez,  sinto-me ligeiramente nostálgica em relação ao tempo de férias que acabou. Este ano, ao contrário do que tem acontecido em anos anteriores, não me apetece voltar ao gabinete e passar os dias lá enfiada a "fazer as minhas coisas".
Depois destas semanas de praia e ar livre, em que me fui adaptando à vida em família e a um não ter nada que fazer que é sempre relativo e afinal me dá liberdade para decidir como quero aproveitar o tempo, sinto que vou ter dificuldade em readaptar-me à rotina de que eu tanto gostava.
O trabalho já não me sorri, a instituição muito menos. Deixou de ser um lugar onde me sinto bem-vinda e feliz. Por mais que eu goste do que lá faço, isso gerou no meu espírito uma certa angústia miudinha que me vai empapando o cérebro ao longo da semana. Não tenho vontade de viver dessa maneira, naturalmente, de sentir o que tantas outras pessoas sentem e eu me gabava de não saber o que era: passar a semana ansiando pela chegada de sexta-feira à noite.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Esta fez-me sorrir

«Com o mês a chegar ao fim, o Diário de Notícias escolheu para a primeira página uma fotografia com um ano, quando a autoestrada entre Lisboa e o Algarve parou literalmente. É bem lembrado porque hoje e amanhã é natural que se vejam imagens parecidas nas estradas. Mas este ano já dá para caçar Pokemons enquanto a fila não anda.»

                                                  Ricardo Costa, no "Expresso curto" de hoje